Paciente com Alteração Sensorial

Entende-se por alteração sensorial qualquer redução na capacidade de receber um estímulo que chega por qualquer um dos sensos. A visão, olfato, paladar, audição e tato representam os cinco sentidos e são os responsáveis pela capacidade de distinguirmos as percepções diversas. 

Os pacientes com distúrbios sensoriais apresentam uma perda perceptual, e o profissional deve ater-se ás diferentes formas que eles apresentam para se comunicar e expressar suas sensações. As alterações sensoriais que podem comprometer e dificultar o atendimento odontológico estão relacionados à perda de audição, perda da visão e ou deficiência múltipla sensorial, exigindo do profissional um maior conhecimento de técnicas e estratégias para conseguir estabelecer uma comunicação e motivação efetivas.

A comunicação sempre foi considerada uma ferramenta importante pra os médicos e profissionais de saúde no diagnóstico da patologia e no desenvolvimento de um relacionamento profissional-paciente. Considerando a perda auditiva como um déficit sensorial muito comum, é importante através de uma anamnese criteriosa investigar o grau de perda auditiva para que se possa adequar a melhor estratégia de comunicação. Os pacientes com perda leve a moderada (de 26 á 55 dBNA) podem muitas vezes podem fazer uso de aparelhos de amplificação sonora e dependendo do treinamento que tiveram, grau de escolaridade e apoio familiar, conseguem fazer a leitura labial, e estabelecer uma comunicação razoável. Com relação aos pacientes com perdas de audição severa e profunda (acima de 56 dBNA), consideradas pessoas surdas, as pesquisas já revelaram que a surdez impõe reflexões sobre a linguagem e sobre os processos de construção de conhecimento, e que portanto é pela língua de sinais que o surdo se desenvolve plenamente.

A língua de sinais foi oficializada como língua oficial de pessoas surdas no Brasil em 2002, segundo a Lei n°10.436. E a comunicação através da língua de sinais não atende somente a pessoas surdas e sim aos surdocegos que possuem o déficit auditivo e visual associados. Nesses casos a utilização da língua de sinais é realizada de forma diferente, não no espaço do campo visual, mas na palma da mão ou com o movimento dos braços. Outras formas de comunicação são utilizadas por pessoas surdocegas, como por exemplo a Tadoma ( percepção da fala por meio do tato). O Tellethouc ( maquina de datilografia com teclado em braile), placa em braile e alfabeto manual do surdocego, são outras estratégias utilizadas na comunicação. 

O atendimento odontológico de pacientes com deficiências sensoriais associadas ou não a outras comorbidades, representa um desafio ao cirurgião-dentista e exige deste uma formação complementar.

Dra. Claudia Barbosa Pereira
Cirurgiã-dentista Especialista em Odontologia para Pacientes Especiais, com experiência no atendimento de pacientes com alterações sensoriais e capacitada em libras (língua brasileira de sinais).