Disfunção hepática

O fígado é o maior órgão do corpo humano, está localizado no lado superior direito do abdomen, sendo responsável pela produção da grande maioria de substâncias essenciais ao organismo. Dentre as suas principais funções está a produção da bile, a síntese de proteínas (como albumina e fatores de coagulação), a armazenagem de ferro e certas vitaminas. Além dessas funções, o fígado também é reponsável pela inativação de hormônios (como insulina, estrógenos e hormônios anti-diuréticos), destruição de hemácias (glóbulos vermelhos) velhas ou anormais, e pela degradação de álcool e outras substâncias tóxicas.

Muitos medicamentos comumente utilizados pela população apresentam metabolismo hepático, e de acordo com a gravidade da disfunção hepática, podem necessitar de ajuste em sua dosagem (ex: alguns analgésicos, sedativos, antibióticos, antifúngicos e anestésicos locais utilizados em odontologia) 

Causas da disfunção

A disfunção hepática pode ocorrer por diversas razões. Entre os motivos mais comuns estão o uso abusivo de ácool e drogas ilícitas, hepatite medicamentosa, doença biliar e infecções virais. 

Existem 6 tipos distintos de hepatites virais identificadas como A, B, C, D, E e G. As hepatites A e E são similares em diversos pontos. Ambas apresentam transmissão oral-fecal, afetam crianças e adultos jovens, e raramente apresentam complicações pós-infecção.

A hepatite B é causada por um DNA-vírus e pode ser transmitida por relações sexuais, além de sangue e seus derivados.

Hepatite D, também conhecida como hepatite delta, é causada por RNA-vírus tão pequeno que só tem importância quando está associado a hepatite B, e resulta em uma doença (co-infecção) fulminante. A recém descoberta hepatite G é transmitida por sangue e seus derivados, e ainda necessita de maiores elucidações 

A hepatite C, originalmente conhecida como hepatite não-A e não-B, é causada por um RNA-vírus, e apresenta comportamento similar à hepatite B e contaminação por sangue e derivados.

Prevenção

Existe atualmente vacinação disponível para hepatites do tipo A e B. A vacinação para hepatite A está indicada para viajantes, militares e indivíduos que residam em áreas endêmicas. Já a vacinação para hepatite B está indicada, especialmente, para profissionais da area da saúde, ou aqueles que trabalham em contato com material biológico (sangue e derivados).

Manejo do paciente

  • O paciente que está diagnosticado com hepatite, resultando em disfunção hepática, pode apresentar uma variedade de alterações fisiopatológicas relevantes para o planejamento pré-operatório.
  • A avaliação do risco aumentado para sangramentos durante a realização de cirurgias deve ser considerado em associação à medidas hemostáticas (contenção de sangramentos). Neste contexto, a solicitação de exames laboratoriais torna-se essencial para o planejamento cirúrgico.
  • O uso de certos medicamentos que apresentam metabolismo (consumo) primário hepático, como analgésicos ou antibióticos, normalmente prescritos para o conforto pós-operatório, também devem ser considerados. Em casos de disfunção hepática leve, as dosagens usuais talvez possam ser mantidas. A substituição de drogas, ou mesmo o ajuste de dosagens, deve ser cuidadosamente avaliado em casos de disfunção hepática severa.

Dra. Alessandra Rodrigues de Camargo
Especialista em Odontologia para Pacientes Especiais, com experiência no atendimento a pacientes com doenças infecto-contagiosas.